A astúcia lusófona e o teste do mundial RÚSSIA 2018

A astúcia lusófona e o teste do mundial RÚSSIA 2018

em DESPORTO/DESTAQUES/OPINIÃO por

Por Luís de Figueiredo

Hoje veio-me a cabeça a iniciativa de rabiscar algo sobre a situação dos nossos irmãos lusófonos no campeonato Mundial que arranca daqui a algumas horas na Rússia. Gostaria na verdade de falar daqueles que irão levar o orgulho da lusofonia a prova no que ao futebol diz respeito durante os próximos trinta dias, nomeadamente Portugal e Brasil.

Em 2014, a 20.ª edição de um Campeonato do Mundo resultou em fracasso absoluto para o Brasil. A nível organizacional, os brasileiros tiveram que enfrentar vários problemas e, do ponto de vista desportivo, a prova terminou em pesadelo para a “canarinha”, humilhada na meia-final pela Alemanha. Desta vez os brasileiro vão a Rússia com um ar de total renovação moral, graças a Tite, o técnico que conseguiu acabar com a dependência de Neymar. Para confirmar o favoritismo no Mundial da Rússia, que arranca hoje em Moscovo, o Brasil terá de superar a fiabilidade da campeã Alemanha, o talento da nova geração da França, o génio da Argentina e de Portugal, e um velho tabu: sempre que foram para um Mundial com o estatuto de favoritos, os brasileiros nunca foram bem-sucedidos.

Segundo um artigo publicado pelo jornal O Publico de Portugal, e notória a tendência da recuperação da hegemonia do Brasil neste mundial: O enorme salto qualitativo do Brasil nos últimos quatro anos passa, muito, pela forma como Tite soube preparar a equipa para sobreviver sem a sua principal estrela. “No Mundial de 2014, o Neymar era um jogador que precisava de jogar sem se preocupar com o sistema de jogo. O Neymar era a estrela máxima e única. Foi-lhe dada essa condição pelo técnico [Dunga], pela torcida, pela imprensa. Se o Neymar jogar a gente ganha, se o Neymar não jogar a gente não ganha. E foi isso: o Neymar saiu, o Brasil perdeu. Agora a selecção já não é dependente de Neymar”, afirma o comentador da Rádio Globo. Sem retirar o mérito ao “10” brasileiro, que é “extremamente talentoso, decide os jogos e pode ser o melhor jogador deste Mundial”, a “estrela deste Brasil é Tite”. “O Neymar é uma só parte da engrenagem”.

No entanto, não se pode contar a mesma história para Portugal, o historial da participação portuguesa em Mundiais é feito de altos e baixos. Começou em alta em 1966, com o terceiro lugar dos Magriços, prosseguiu em 1986 com o caso Saltillo, manteve-se em baixa em 2002 e só voltou aos pontos altos com uma presença nas meias-finais em 2006. Quatro anos depois, o Mundial da África do Sul foi um relativo fracasso, mas um sucesso quando comparado com o desastre brasileiro, entre o calor e os altos “índices de suspeição lesional”. Desta vez, parece estar tudo no lugar, uma convocatória sem polémicas e um sentimento de unidade. Não fosse a crise do Sporting que poderá (ou não) afectar o rendimento de quatro jogadores (Rui Patrício, Bruno Fernandes, William Carvalho e Gelson Martins) e a selecção portuguesa teria tido um ambiente de total tranquilidade na preparação do torneio

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Segundo um texto do jornal que tenho vindo a citar, esta selecção é uma boa mistura de continuidade e renovação para que o Rússia 2018 seja um ponto alto da história portuguesa nos Mundiais. Esta é uma selecção de continuidade porque mantém o mesmo seleccionador e tem 14 dos jogadores campeões em França. E de renovação porque Fernando Santos não foi demasiado sentimental e abdicou de nove dos heróis de 2016 – um deles Éder, o herói de Paris, outro deles Nani – para poder incluir jogadores em ascensão como Bernardo Silva, Gonçalo Guedes, Gelson Martins, Bruno Fernandes, Ruben Dias e André Silva, que são o presente e o futuro da selecção nacional – um futuro em que não houver Cristiano Ronaldo, mas isso ainda estará longe de acontecer.

Falando especificamente de Cristiano Ronaldo, este monstruoso artilheiro ainda continua a ser a cara da esperança portuguesa neste Mundial. Diferentemente do que esta a acontecer com Neymar no Brasil, Cristiano Ronaldo afigura-se como a turbina da maquina futebolística lusófona na Rússia.

Com todos os títulos e distinções individuais que já ganhou, Ronaldo tem algo a provar neste Mundial, sobretudo ao seu actual empregador, o Real Madrid, com quem a relação não parece ser a mais pacífica e de onde parece (mais uma vez) estar de saída. Não pelo que fez nesta época – 44 golos marcados e contribuição decisiva para mais uma Champions League -, mas pelo que ainda pode fazer. Ronaldo quer mostrar neste Mundial que, aos 33 anos, continua em plena posse das suas capacidades e que não é um jogador descartável. Para a selecção, não é, de certeza. Este vai ser o seu quarto Mundial consecutivo, talvez o último, e a grande oportunidade para fazer história também neste palco.

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Ronaldo será, então, o centro de gravidade desta selecção, com um elenco de suporte para dividir as despesas do ataque, que tem, indiscutivelmente, mais soluções. O problema estará no sector mais recuado, em que a veterania dos centrais é uma prova de que a renovação de valores está a ser mais difícil. Talvez Rúben Dias, depois de uma grande época no Benfica, entre no “onze” no decorrer do Mundial, mas as primeiras opções de Fernando Santos parecem ir na direcção de Pepe e Bruno Alves, dois trintões avançados. E a lesão de Danilo Pereira também terá pesado nestas coisas, já que o médio do FC Porto seria uma opção mais que competente no eixo da defesa.

Enfim, assim vão as selecções lusófonas no Mundial 2018, resta-nos apenas esperar para ver o que os ventos do Norte nos trarão.

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