INCALA, um monstro difícil de morrer

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Com um longo caminho por percorrer, já teve os seus momentos áureos. Vive e convive com os Quelimanenses. Faz parte da história da cidade dos Bons sinais. Foi abalado por quedas e tropeços mais não se deixou domar. Abasteceu calçados plásticos em toda Zambézia e países como Malawi e Zimbabwe. Chegou a viver de contribuições de funcionários, sócios e amigos de boa-fé. Após esse período negro e amargo conheceu novos proprietários que ajudaram-no a conhecer caminhos e horizontes promissores. Ela é a fábrica de calçados INCALA, que deu o seu contributo incomensurável na melhoria da vida da população de Quelimane, da Zambézia e Quiçá da região do interland.

Instalada em 1977 na capital da Zambézia, a Industria de Plásticos e Calçados da Zambézia – INCALA iniciou a produzir calçados e produtos plásticos. Melhor do que ninguém Inusso Ismael, Director da INCALA fala-nos da saúde desse monstro, duro de morrer.

“Inicialmente produzíamos calçados, actualmente introduzimos uma nova linha, temos utensílios domésticos, uma diversidade de produtos, um nível de provocação de 80 por cento da capacidade instalada, os nossos produtos são muito aceitáveis a nível da população, auguramos que a nossa produção seja ampliada; como desafios temos que baixar o custo de produção, temos que ser os primeiros, temos que fazer chegar os nossos produtos as regiões mais recônditas ” — referiu.

Percurso:

“Em 1981 foi intervencionada pelo Estado, mais tarde tivemos um financiamento do Banco Mundial, um júri de 30 por cento, a fábrica estava votada à falência, em 2005 conseguiu virar o curso da seta, conseguiu submergir da linha da cota, neste momento ela esta salva, o mercado é muito agressivo”.

Necessidades:

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“Precisamos ter algum apoio do governo, nos também estamos apostados em fazer valer a qualidade dos nossos produtos, precisamos capacitar os nossos trabalhadores, Temos que deixar de chorar e lamentar, através da criatividade temos que encontrar formas de negociar e bem vender, o empresariado necessita de uma assistência, e que os juros não sejam tão altos, nós temos que trabalhar” — desabafou.

Segredo da manutenção:

“O segredo é trabalhar mais, parar de chorar e inovar, temos que baixar o custo de produção, temos que chegar primeiro ao consumidor” — revelou.

Apoios que o Governo poderia dar:

 “O governo deveria comparticipar na área de formação, isso melhora a tecnologia, há sempre uma grande evolução, por essa razão o governo tem uma responsabilidade nessa componente, porque a fabrica ira melhorar a produção e produtividade, uma vez que ostentáramos o selo Made in Mozambique, os nossos produtos deveriam ser preferencialmente optados pelo governo que é o maior consumidor, o que não acontece muitas vezes, a protecção à indústria nacional é um factor extremamente importante para podermos estar a consolidar e a desenvolver o parque industrial moçambicano”- Afirmou Inusso Ismail.

A INCALA investiu nos últimos anos mais de 200 mil dólares para a importação de uma máquina para a produção de cadeiras plásticas para o mercado nacional. A máquina foi adquirida na Índia e tem capacidade de produzir mil cadeiras por dia e numa primeira fase funciona com quase a metade da capacidade instalada. Com a importação da máquina cresceu a massa laboral de 70 para 80 trabalhadores efectivos.

A INCALA começou por produzir calçado plástico e mais tarde mudou a linha de produção para utensílios domésticos. A nova linha de produção de cadeiras tem abastecido a cidade de Nampula.

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Setenta e três anos após elevação de Quelimane a essa categoria, a cidade tornou-se pouco abalada economicamente com níveis preocupantes de grandes empresas moribundas, que o Edil preferiu descrever como estando de coma, na esperança de vê-las ressuscitadas. Tal é o caso da Fabrica de Vestuários da Zambézia – FAVEZAL, Sociedade da Madal, SOCOCO, Companhia da Zambézia, Companhia do Borror, Companhia do Luabo, Empresa Frigorifica de Pesca Limitada – EFRIPEL, Empresa Nacional de Comércio – ENACOMO, e a própria Industria de Plásticos e Calçados da Zambézia – INCALA, que carecem de revitalização urgente.

Artigo publicado originalmente na revista 73 anos de Quelimane

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