LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

Japone Arijuane Poeta e jornalista moçambicano da província da Zambézia

“Quando resta o nada para tanto”

em OPINIÃO por

*Japone Arijuane 

Nesta página, que hoje e aqui inauguro, pretendo exercer a mais distinta missão de um cidadão consciente de sua cidadania, especialmente dos meus direitos e deveres. Uma vez que estou com os impostos em dia, quero, a partir deste espaço, exercer os meus nobres direitos ligados a liberdade de expressão, assim sendo, contribuir para um Moçambique onde, cada vez mais, haja mais dignidade à vida humana e “desencorajar” os nossos algozes, como os semeiam terror um pouco por todo o país, e dizer a eles que não são as mortes e torturas que param um povo vilipendiado mas o amor.

Enquanto um ser pensante, não sou apologista a opiniões construídas a partir de suposições e repetidas pela maioria, por mais complexa quantiaria seja essa maioria. Não sou pessoa de crer de ânimo leve “certas” ideias nem ideologias sem que as mesmas mereçam uma auto-investigação, em outras palavras eu sou editor de tudo que consumo.

Por essa razão, que acho razoável, não defendo estirpes de posições cuja essência é colocar no colectivo a excreção de certas individualidades apenas por estes fazerem parte do mesmo tecido social. Não me vêm dizer que “cada povo têm o governo que merece”, nenhum povo merce, por exemplo, esta miséria que, mesmo depois quarenta anos nos torna reféns de uma condição nenhumana.

Como podemos ser, todos nós (moçambicanos), donos de uma merda cujo cago foi feito por uma parte insignificante da população? Como podemos merecer órgãos de justiça cuja actividade é deveras injusta, órgãos preocupados com ninharias enquanto o bicho grande anda sorridente e a solta, asqueroso cuspindo no amago da sociedade espinhas podres de atum. Por onde anda a verdadeira justiça? de certeza longe daqui, talvez nas carcaças do Tupolev.

Quero neste espaço mostrar a minha indignação com tudo e isso e orientar quem quer que se oriente para uma vida íntegra, por isso irei pautar por um género de informações comprometidas não só com a verdade mas também com a realidade do país em que quis o destino que meu cordão umbilical fosse aqui enterrado.

Leia:  A DOR DA PERDA…! —Danilo Tiago

Neste país onde resta o nada para tanto, onde os que podem fazem das suas a quimioterapia quotidiana, onde a insónia é tanta e a vida muito rápida, onde há mais mortes do que vidas. Como dizia White: “os nossos mortos são muitos” eu não diria mortos que sendo vítimas vitimaram o percurso de todos nós, quantos são, e sem que ninguém saiba porquê morrem, os nossos mortos, os semimortos, os torturados, será que não basta a pobreza, precisam evadir e subjugar vidas humanas? Quem são os que querem que haja mais morto? Que interesse é este que está a cima daquilo que se diz ser o maior bem?

Quem são os arquitectos dessa milenar inverdade. Inverdade por cima de inverdades. Bom, quero com isso dizer que estou consciente dos riscos que corro ao comprometer-me falar de verdade num covil de falsos, como dizia Martin Luther King, “para criar inimigos não é necessário declarar guerra, basta dizer o que pensa, e eu amo os meus inimigos mas os mortos não me dão outra alternativa que não seja honrá-los e se for para morrer que eu morra EU!

Fiquem atentos!

* Poeta e jornalista

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