LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

Pobreza extrema assombra Inhassunge: O outro lado da Zambézia!

em DESTAQUES/ENTREVISTA por

Zito do Rosário Ossumane

zito.ossumane@jornaltxopela.com

À mercê de promessas eleitorais – na sua maioria incumpridas -, Inhassunge está entregue a sua própria sorte. É o distrito mais próximo da capital provincial da Zambézia –, Quelimane, diga-se, aparenta não ter reagido à passagem de tempo e o facto de estar próximo a capital politica em nada lhe beneficia.

Estradas esburacadas e de terra batida, falta de iluminação eléctrica e a inexistência de um sistema de distribuição de água potável dão ao distrito um aspecto de abandono, e não só. O progressivo nível de desemprego e pobreza assombra a perspectiva de um destino melhor para os mais jovens.

De “distrito”, só tem o nome. Ele prossegue com a imagem de uma localidade escolhida para o abandono. Há quase 20 anos que a vida mantém-se parada para os cidadãos, o desenvolvimento económico e social permanece eternamente adiado.

Sobre estes problemas o Jornal Txopela conversou em exclusivo com o administrador recém-nomeado, João Raiva. Acompanhe o extracto da longa entrevista nas linhas que se seguem:

Há quatro meses na administração do distrito de Inhassunge, quais são as maiores prioridades do governo distrital?

A reabilitação da estrada Recamba-Abreu, um troço que constitui a espinha dorsal deste distrito é a primeira prioridade, a população pode reabilitar as vias secundárias mas quando a principal encontra-se esburacada julgo que não tem grande impacto na transitabilidade.

Embora esteja a ocorrer a exploração de areias pesadas por parte de uma empresa chinesa nesta circunscrição, a população maioritariamente jovens referem que o nível de desemprego tende aumentar…

Com o aparecimento da doença do amarelecimento letal do coqueiro, todas as plantas desapareceram e está era a maior fonte de subsistência da população de Inhassunge. Neste momento o Governo e parceiros estamos a tentar introduzir novas culturas para poder resolver o problema de alimentação e também do emprego nas comunidades com a produção de outras culturas como: o arroz, milho, mandioca e feijão.

Há um apelo presidencial da necessidade da população produzir mais alimentos. Onde Inhassunge se situa no mapa provincial no tocante a produção de comida?

Inhassunge está a trabalhar, estamos a introduzir novas culturas tolerantes a seca como a mandioca, batata-doce, feijão, gergelim é portanto a forma que encontramos de melhorar a vida das comunidades. Inhassunge é conhecido como distrito pesqueiro e temos vindo a fomentar a piscicultura e também fomentamos a criação de frangos que é o produção bandeira deste distrito, se for a Quelimane verá que o maior fornecedor de galinhas cafreal é o distrito de Inhassunge.

Administrador, qual o papel do governo distrital neste processo de produção de galinhas nas comunidades para a comercialização em Quelimane e em outros mercados?

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É a sensibilização das comunidades para adesão, cá há uma tradição, quando nasce uma criança é oferecida uma galinha para criar ao longo de alguns anos tem muitas galinhas essa criança, estas praticas nós encorajamos. O governo apoia neste ciclo de produção, as vacinas contra as doenças que afectam esta espécie animal são gratuitas.

 A questão da travessia que falávamos a momentos é a principal dor de cabeça para a população residente nesta circunscrição geográfica, administrador há contactos com o governo provincial e central ou parceiros para uma saída deste problema que prevalece a anos?    

Tentamos estabelecer alguns contactos com a estrutura de nível provincial e estão preocupados com a nossa situação, está situação já foi lamentada pelo próprio governador Abdul Razak e a Directora Provincial de Transportes e Comunicações porque realmente é uma necessidade urgente. Tende-se criar mecanismos para que o transporte de viaturas não pare, nós temos trabalhado apenas com um batelão, se tivéssemos condições de termos mais um batelão de reserva seria uma mais-valia, infelizmente o País não esta bem no tocante aos recursos financeiros. A intenção existe, no dia em que houverem recursos poderemos adquirir mais um batelão ou quem sabe construir uma ponte, assim como Maputo – Catembe (risos)

Com o actual batelão temos vindo a trabalhar, embora as avarias, temos sabido gerir e colocar o mais breve possível a funcionar, a última avaria levou uma semana e nos sentimos, ontem houve uma pequena situação mas prontamente resolvida.

Quais são as melhores áreas para investir em Inhassunge?

Em Inhassunge temos um problema grave, todas estas terras eram da companhia da Madal, está empresa ainda detém monopólio sobre estas terras, a verdadeira área em que o empresariado deveria investir em Inhassunge é na área da agricultura, infelizmente toda a terra foi concessionada e há documentos que atestam isso, poderia pelo menos haver uma colaboração da empresa para a cedência de algum espaço a agricultores para a produção. Há outras áreas em que o empresariado pode investir como é a área da piscicultura, produção e processamento do sal, pode-se instalar uma fábrica de processamento de caranguejo, há várias empresas nacionais e internacionais que vem comprar está espécie aqui em Inhassunge.

Como a população participa neste processo de governação e definição de prioridades?

 A população esta a colaborar, temos visto grupos de cidadãos que tem-se organizado para a limpeza de vias de acesso de forma voluntaria, participação em comícios e nas campanhas de sensibilização das campanhas de vacinação promovidas pelo governo e parceiros.

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Em Inhassunge, uma empresa de capitais chineses encontra-se a explorar na localidade de Dea areais pesadas, conquanto há denúncias de desrespeito ao acordo com o Governo e de os funcionários daquela firma maltratarem os trabalhadores moçambicanos empregues naquela indústria, confirma esta informação?

 Há que admitir que há um problema de comunicação entre os intervenientes neste processo, a população não tem informação do que está sendo feito ou se pretende fazer, se um dia a população for bem informada e saber a importância e entender que isto vai trazer benefícios para eles, julgo que a população vai voluntariamente acarinhar o projecto mas enquanto a população não estiver esclarecida sobre os verdadeiros objectivos do projecto de exploração de areais pesadas sempre haverá problemas e no meio disto há oportunistas, pessoas que desinformam a população para que tome certas posições.

Nenhuma população é injusta e não pode tomar posição injusta contra o seu governo, e se isto acontece é porque alguma coisa de errada está a influenciar, o povo moçambicano é pacifico e não está contra nenhum estrangeiro, o que deve acontecer é que temos de aprofundar o conhecimento do que é que estes projectos pretendem e fazer chegar as comunidades, portanto não há motivo de grande alarido de que pretende-se arrancar terras de comunidades, não vai acontecer porque este governo é do povo e não há nada que possa fazer em desfavor deste mesmo povo.

Criminalidade…

Aparecem alguns casos esporádicos, especialmente protagonizados por indivíduos que enveredam pelo caminho da justiça pelas próprias mãos e movidos por praticas supersticiosas. Retirando está parte o povo de Inhassunge é pacifico!

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