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Desabamento da ponte em Inhangome está a ceifar vidas humanas

A negligência politica!

em DESTAQUES/REPORTAGEM por

Desabamento da ponte em Inhangome está a ceifar vidas humanas

Zito do Rosário Ossumane

zito.ossumane@jornaltxopela.com

A reconstrução dos factos, reportagem traz uma cronologia dos acontecimentos que culminaram com o desabamento da ponte sobre o rio Inhangome e mostra as consequências económicas e sociais deste incidente.

A ponte que dá acesso a unidade residencial de Inhangome foi construída em 2013, por uma empresa pertencente ao ex-candidato do partido Frelimo à presidência do Conselho Municipal de Quelimane, Aboobacar Bico já falecido, que perdeu a corrida a favor do actual autarca de Quelimane, Manuel de Araújo. Segundo apurou o Jornal Txopela a infraestrutura custou aos cofres do Distrito de Quelimane um total de 7 milhões de meticais, estreita e feita a base de madeira a ponte não permite a passagem de viaturas, possibilitando motorizadas, bicicletas e transito peão apenas.

Inhangome dista a cerca de 12 quilómetros do centro da cidade de Quelimane, a população é dependente a 100% de quase todos os serviços básicos da urbe. Passados três anos depois da sua construção e entrega à população, a infraestrutura começou a presentar problemas na sua estrutura de suporte, aos 15 de setembro de 2016 o Jornal Txopela publicou uma reportagem: “Inhangome, desabamento eminente da ponte” a reportagem denunciava o estado de abandono a que a população estava votada com uma ponte que a qualquer momento poderia ruir, previsão acerta (?).

Facto é que é responsabilidade do Conselho Municipal de Quelimane a construção e manutenção de infraestruturas daquele porte ao nível do raio autárquico, a pergunta logica também que se pode fazer é porque é que o governo do distrito á 6 anos atras invadiu competências e responsabilidades da autarquia em uma área que não lhe diz respeito?

Publicamos a seguir EXTRACTO FIEL DA REPORTAGEM PUBLICADA A 15 DE SETEMBRO DE 2016 PELO JORNAL TXOPELA.

“A garantia foi recentemente dada pelo chefe do pelouro de Urbanização e Construção do CMCQ, Yassin Calú, quando abordado pela imprensa a respeito daquela infraestrutura que já há algum tempo não oferece garantias de segurança para os utentes, devido ao estado de inclinação que apresenta neste momento, declive condicionado pelo nível freático do solo.

Facto é que a população de Inhangome recorre a zona do Chuabo Dembe, portanto outro lado da ponte e ou a zona cimento da cidade para poder ter acesso a todos os serviços básicos, como é o caso de educação, saúde, comércio, inclusive água para o consumo quotidiano, daí que o possível desabamento da ponte em referência vê-se como sendo um total isolamento daquela população.

Calú explicou que já foi feito um levantamento naquela ponte mas a condição do terreno, do ponto de vista de consistência é bastante complexo. A alguns meses atrás, segundo deu a conhecer “esteve em Quelimane uma equipa que vinha fazer um estudo de viabilidade, fizeram o levantamento e perderam duas sondas, (um instrumento que serve para perfurar os solos, com camera e após ser introduzida, relata a condição do solo inclusive o nível de profundidade aonde pode se encontrar solos consistentes) ”.

O nosso interlocutor disse ser necessário um estudo bastante aprofundado. Neste momento pretende-se fazer um levantamento em volta de todo rio para perceber-se qual é o sítio mais fácil para alterar a colocação da ponte, pois segundo avançou é melhor alterar a rua do que manter aquela que possui cerca de 18 metros e colocada num sítio movediço como aquele, que não pode assentar pilares de betão muito menos uma ponte metálica.

“O Edil de Quelimane, Manuel de Araújo, tem muitos planos com a zona residencial de Inhangome devido a falta de infraestruturas sócias vitais para a vida da população” e continuou “Inhangome não tem centro de saúde, não tem nenhum estabelecimento comercial e nem qualquer outra instituição do Conselho Municipal senão a casa do secretário, então há aqui um nosso interesse de implantarmos infraestruturas sócias naquele ponto da cidade, todavia estas infraestruturas que devem ser implantadas dependem da via de acesso”, – explicou.

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O vereador disse não ser por má-fé que a ponte não é feita mas sim evita -se fazer uma borrada como ele mesmo designou a actualmente existente que terá sido construída pela Administração Nacional de Estradas.

O nosso interlocutor, avançou a necessidade de se colocar uma ponte que seja mais fiável ou seja de construção convencional que permita a passagem de viaturas, facto que não acontece actualmente.

Entretanto, apesar da vontade de colocar uma ponte que seja mais condigna, diga-se, o nosso interlocutor não avança datas sobre a concretização desta acção, e pelo que se pode entender, se a ponte ceder daqui a algum tempo, a população de Inhangome poderá ver-se preza naquela zona, como anteriormente o mencionamos.

Segundo apuramos ainda do nosso interlocutor, para colocação de uma ponte de betão no local em referência são necessários mais de setenta milhões de dólares um valor que a edilidade não possui, facto que pode fazer com que a pretensão da edilidade de colocar uma ponte de betão não passe de uma simples ideia, tendo em conta que este valor deve vir de parceiros, parceiros retraídos pela actual conjuntura socio-económica e política.

“Um dia vamos ficar sem água nem comida no Inhangome”

Entretanto, enquanto a edilidade diz não saber quando realmente será possível colocar uma ponte que se considere definitiva, alguns cidadãos entrevistados pelo Jornal Txopela no local, disseram que há necessidade de as autoridades municipais olharem esta questão como sendo urgente.

Vitória Marques, diz ter filhos que estudam no centro da cidade e que a continuação dos seus estudos depende necessariamente da existência daquela ponte, caso contrário estes param de frequentar as aulas.

A cidadã aponta que quando há necessidade de encontrar água potável, serviços de saúde e outros que estão do outro lado da ponte, é necessário passar por ela, por isso entende que deve existir urgência na actuação das autoridades, visto que a actual ponte já apresenta indícios de estar nos seus últimos momentos de vida.

Tal como Vitória, Jorge Bobone, disse ser necessário um olhar mais atento a este problema que parece não ser problema neste momento, mas que num futuro não muito longínquo o mesmo poderá revelar-se e nessa altura será de difícil contorno, acautelou.

“Essa ponte já está a cair um dia vamos ficar sem agua nem comida no Inhangome, por isso pedimos o governo para poder pensar o que pode fazer para evitar o pior”,- disse um cidadão que se identificou apenas por Bazo.

Este foi mais longe ao apontar que um dia poderão ficar sem comida nem água se a ponte ceder por completo, porque tudo está na além-ponte, uma posição que foi tomada pelos seus antecedentes” — Exctrato de uma reportagem publicada pelo Jornal Txopela aos 15 de Setembro de 2016.

A ponte desabou, e depois?

Estão afectados ao todo mais de três mil residentes naquela circunscrição geográfica, a ponte com uma dimensão de 150 metros construída a base de madeira desabou na noite do passado dia 19 de Abril, dia em que começou o martírio da população e há registos de perdas de vidas humanas decorrentes da queda da infraestrutura.

A travessia de pessoas e bens é garantida por canoas (pequenas embarcações de construção precária) que não oferecem nenhuma segurança aos utentes, professores que lecionam o nível primário em Inhangome e estudantes que frequentam o ensino secundário na margem de Quelimane-Cidade encontram-se de mãos atadas, as senhoras que praticam agricultura nos campos de cultivo de arroz em Inhangome temem perder as suas culturas na sequencia do desabamento do único elo de ligação entre Quelimane, todos são unanimes, há algo que tem de ser feito de forma urgente advertem.

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Uma criança morreu domingo último

Com a inexistência da ponte, a primeira vitima já é contabilizada, um menor de idade perdeu a vida domingo último em Inhangome, segundo fontes ouvidas pelo Jornal Txopela, o petiz morreu no leito familiar dada a impossibilidade de evacuar aos centros de saúde de Quelimane que distam a cerca de 12 quilómetros daquela unidade residencial. A criança cujo nome não nos foi revelado padecia de uma enfermidade mas os familiares não tiveram escolha, a correnteza da água não os permitiu passar para outra margem para cuidados médicos.

Autarca de Quelimane acusa o governo de desvio de dinheiro

Manuel de Araújo que encontra-se na presidência do Conselho Municipal de Quelimane a 7 longos anos quando questionado pela imprensa sobre o assunto, acusa o governo do distrito de Quelimane de ter procedido o desvio de aplicação dos cerca de 7 milhões de meticais em 2013 que eram destinados a construção da ponte ora desabada. O Edil de Quelimane responsabiliza o governo do distrito de Quelimane pela perda de vidas humanas dado que segundo justifica a quando da construção da ponte não houve consulta ao Conselho Municipal de Quelimane conforme a lei exige. A falta de autorização e fiscalização por parte da edilidade é apontada como o grande erro para que a qualidade da obra seja defeituosa.

Manuel de Araújo explicou que a construção da ponte serviu como estratégia do partido Frelimo em devolver ao falecido empresário Aboobacar Bico, ex-candidato para a presidência do Município de Quelimane pelo partido em alusão uma quantia que este teria gasto para a sua própria campanha eleitoral. Vai mais longe, refere que o valor (7 milhões de meticais) não corresponde o valor investido na construção da ponteca.

“Isto é o resultado da mistura de política partidária e administração pública, esta ponte foi construída para pagar a campanha eleitoral da Frelimo e foi gasto um valor que não corresponde aquilo que deveria ser investido aqui. Esta ponte não durou quatro anos e a população deve pagar por este clientelismo político partidário da Frelimo” disse acrescentando que “é por isso que nós dizemos que queremos uma separação do estado e dos partidos políticos, porque quando os partidos começam as imiscuir-se na administração pública o resultado é este”.

Carlos Carneiro, Administrador distrital desdramatiza o discurso do edil

Carlos Carneiro actual administrador do distrito de Quelimane veio a publico reagir os pronunciamentos do Presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo, é seu entendimento que as duas partes devem de forma imediata sentar e encontrar uma solução a breve trecho, refere que todas as acusações que pesam sobre o seu governo são infundadas e de má-fé e que visam distrair a opinião pública sobre o real problema. Informou a imprensa de que a administração do distrito interveio em 2013 na ponte que faz ligação entre Quelimane-Cidade e Inhangome porque o município de Quelimane declarou incapacidade na altura de erguer uma infraestrutura naquela zona para aliviar o sofrimento da população.

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