Benone mateus

A DESCREDIBILIZAÇÃO DA CLASSE JORNALÍSTICA VERSUS A CORRUPÇÃO DA MÍDIA

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Uma análise a partir da denúncia da Ordem dos Advogados na Zambézia

No último dia do mês de Fevereiro, Anastácio Nhomela, presidente da Ordem dos advogados na província da Zambézia, veio ao público dar atenção e denunciar as falcatruas de alguns escribas que mancham os profissionais de comunicação comprometidos em informar e servir o povo na narração de factos em diferentes plataformas de correspondência.

“Há outra parte que nos preocupa, é que nós como Ordem dos Advogados, existem reportagens aliciadas…, temos tido clientes que são pessoas defendidas por nós, e elas as vezes diz olha, o fulano apareceu a pedir uma contraparte para não divulgar a reportagem ou não colocar ao consumo público…e quando diz olha meu amigo, eu não tenho porque te pagar porque não fiz nada, ali começa a notícia a levar uma semana, e quer dizer a ser difundida, e nós outros que estamos no processo, percebemos, e as vezes o dono vem, já viu o que esta acontecer exatamente, eu não garante o que eles queriam,… a mídia é bastante corrupta, e nós vamos aperfeiçoar essa componente os que fazem isso vai o recado, que um dia vamos denunciar a mídia com traços de corrupção, esperamos que não seja muita vergonha depois ter-nos vendido muito tempo muita coisa” denunciou Nhomela.

De lá para cá, ainda estamos a espera aquando serão anunciados os famigerados que acham a sua natureza de trabalho como veio para extorquir individualidades ou cidadãos indefesos quando se deparam com assuntos mal parados nos seus locais de trabalho. Embora haja alguns dos profissionais de comunicação como assessores de algumas individualidades, quando estás personalidades são acusados por delitos, alguns dos escribas os vemos nos seus trabalhos quotidianos a tentar tapar “o sol com a peneira” como sói dizer na gíria popular, com vista a ganhar alguns papéis e traindo a verdade, tanto como o lema do seu local de trabalho.

Mas a questão que não quer calar é, que exemplo de servidor estamos a dar se optamos em manchar está classe nobre com troca do metical? Que jornalismo é esse que serve para espoliar o próximo? Embora, o escriba seja um ser social, não se explica a prática de actos que colocam a classe inteira a maus lençóis.

Cultivar e cingir-se de escrúpulo deve ser um princípio do jornalista no seu quotidiano para não colocar em causa a sua integridade pessoal junto do órgão que serve. Enveredar na transparência, isenção, rigor, inovação, democracia deveria ser o lema de todos profissionais de comunicação com objectivo de informar, não a desinformar e chantagear personalidades hoje e sempre.

O jornalismo é uma das profissões quando bem exercido, torna numa das profissões tão nobre da sociedade, por ser a que da voz a todas camadas vivas, sem descriminação de raça, cor, religião ou filiação partidária. Aliás, não é por acaso que considera-se como “o quarto poder”. O facto de ostentar esse poder em nenhum momento o jornalista, queira beneficiar-se da pujança que a profissão tem, para chantagear sicrano ou beltrano porque não vai com sua cara ou não pertencem à mesma filiação ou vocação partidária, assim sendo, servir de motivo fundamental de ferir a deontologia profissional e colocar seguidamente, em causa, a imagem do cidadão.

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Como um ser social e nos termos mais profundos da natureza humana, com características de pessoa e com todos atributos que Boécio e Kant avançam, como um ser de natureza racional, e quando a racionalidade não é manifestada no dia-a-dia, a comunidade ou a sociedade mais atenta pode-o considerar de um individuo sem escrúpulos.

A mídia para além de exaltar os feitos do governo, actualmente tem sido o meio que os oprimidos encontram refúgio, entretanto, no lugar da mídia ser local de aconchego, infelizmente é manchado por alguns infiltrados, que na minha modesta opinião deveriam ser escorraçados, expurgados e expulsos da classe. Porque o jornalismo não se faz com ódio, rancor, manipulação, sensacionalismo e corrupção. Portanto a corrupção dever ser combatida e controlada à priori pelo jornalista e aos demais cidadãos numa determinada confraria. É imperioso que a classe não fique impune quando tais actos são despoletados, porque retira a credibilidade e o poder da comunicação social no seu todo.

Como diz Adriana Leite Diniz (2006), nenhuma outra profissão exige tanto preparo intelectual, rapidez de raciocínio e capacidade de tirocínio quanto a de jornalista. Para andar nos limites que ela impõe, o profissional tem que estar apto, e os deslizes são quase que imperdoáveis. É preciso ter equilíbrio emocional, saber diferenciar o que é certo do que é errado, ter senso de justiça e de bem comum aguçados. Enfim, todas essas coisas fazem parte da função cívica e do papel social que a imprensa possui, ou pelo menos deveria possuir.

E por outro lado, na ausência de acções eficazes dos três poderes regulares de uma democracia (executivo, legislativo e judiciário), a imprensa passa então a assumir um papel de “quarto poder”, no sentido de controlar os outros poderes, e cobrar providencias para solução dos problemas e mazelas da sociedade.

A imprensa tem um papel fundamental e dual de ser guardião dos cidadãos de um sistema democrático, protegendo-os do abuso de poder por governantes e ser, simultaneamente, um veículo de informação para equipar os cidadãos com ferramentas vitais ao exercício dos seus direitos; e, ainda, de ser uma voz dos cidadãos na expressão das suas preocupações e, se for preciso, da sua revolta.

É imperioso que o jornalista seja objectivo na transmissão da informação, isso quer dizer, manter-se neutro e distanciado de qualquer tipo de facto e não tentar manipular tanto as opiniões, como também as emoções do leitor.

A falta de reflexão e de preparo teórico resulta num jornalista mais alienado () e acomodado, menos crítico e que não vê possibilidades de um agir diferente daquilo que já está determinado. Sem a reflexão, o profissional pode nem ter consciência de que pode agir de forma a construir uma sociedade mais democrática. Os jornalistas têm uma identidade social específica e, como tal, têm direitos e obrigações no espaço social que ocupam para a construção das relações sociais. Por outro lado Paulo Freire apud Ijuim (2009) entende que, a primeira condição para que um ser possa assumir um acto comprometido está em ser capaz de agir e refletir. A capacidade de agir e refletir, um dos pontos primordiais da dialética marxista, implica na consciência do ser de não apenas estar no mundo, mas estar com o mundo.

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Entretanto, “é preciso que seja capaz de, estando no mundo, saber-se nele. Esta aptidão para estar no e com o mundo suscita a possibilidade de, pela reflexão, ter consciência de si e, por um olhar crítico diante do mundo, ter consciência da realidade concreta. O olhar crítico diante do mundo, porém, não admite uma postura de admiração, ou contemplação. Ao contrário, supõe a ação para a transformação. Chaparro apud Paccola concluem que, o Jornalismo é um processo social de ações conscientes, controladas ou controláveis. Se é assim, cada jornalista é responsável moral pelos seus afazeres. O certo ou o errado, o bem ou o mal são definidos por uma comunidade com a atribuição de valores, segundo uma ideologia, de conceitos de louvor ou censura, estabelecendo uma consciência que orienta as ações do indivíduo.

Não envergonhem o sangue novo e a outros profissionais que envereda á independência na sua linha editorial, se acham que estão cansados, peçam aposentadoria ou reforma. Melhor uma reforma justa do que ser forçado abandonar os trabalhos por irregularidades e vícios enraizados nas veias sanguíneas dos supostos visados. Não se aproveite do microfone, camêra, caneta e papel junto da instituição que o confiou a missão de manter informado o leitor, ouvinte e telespectador, com essas notícias imbuídas de odio, clientelismo, chantagens e sensacionalismo.

Fonte:

PACCOLA, Carina. O papel dos jornalistas e a democracia. Universidade Norte do Paraná (Unopar). S/d.

DINIZ, Adriana Leite. Jornalismo em Segurança Pública: Uma nova postura na cobertura da violência urbana, no Brasil. UCM-TIJUCA, Rio de Janeiro, 2006.

IJUIM, Jorge Kanehide. A Responsabilidade social do jornalista e o pensamento de Paulo Freire. Porto Alegre. 2009.

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