Quem será o “novo presidente” da autarquia?

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Moçambique está dividido?

Nunca antes na história desse país, se falou tanto sobre eleições. Os consensos alcançados entre o presidente da República Filipe Nyusi e o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama não só estão a ser contestados pelos partidos que não participaram neste “debate” como também aborreceu a sociedade civil, académicos e os munícipes das autarquias controladas pelos partidos da oposição principalmente. O consenso alcançado entre o presidente moçambicano e o líder da Renamo refere-se à alteração do sistema eleitoral onde os munícipes votam nos partidos e o que amealhar a maioria indicará o nome do presidente do Conselho Municipal da circunscrição a que disser respeito.

O argumento comummente usado para afastar a ideia da eleição de partidos é que tal proposta para a alteração do sistema eleitoral fragiliza e retrocede à democracia ao nível destas circunscrições e no país de uma forma geral. O consenso alcançado sobre a descentralização suscita reações diferentes, havendo quem julga que a revisão pontual da Constituição da República não resolve as questões de fundo dos moçambicanos. De um modo geral, a sensação é de que, foi solucionada a grande contenda que durante anos foi sendo apresentada pela Renamo, a da descentralização. Mas porque mexer nos municípios? Está é uma pergunta que ainda não tem resposta.

O meu argumento é de que é imperioso que os moçambicanos deste extenso e contemporâneo seculo XXI comecem a defender os seus direitos e não candidatos ou partidos. Uma sociedade altamente cívica consegue travar desmandos de quem quer que seja, uma autarquia com cidadãos conscientes podem e devem travar abusos de poder de dirigentes e impor as regras do jogo, independentemente do sistema eleitoral em vigor.

Será que o critério preponderante  para o voto é escolher o candidato que mais se aproxima de seus interesses pessoais? O que é melhor para a cidade, alguém com propostas sólidas de defesa de interesses sociais ou alguém que frequenta o mesmo espaço religioso que você? Alguém que melhore a condição de vida das pessoas ou alguém que aumente os lucros da sua empresa?

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Façamos a mesma reflexão para os partidos, é momento de começarmos a reflectir sobre as nossas crenças e valores e decidir sobre o que consideramos ser fundamental, exerça seu papel de cidadão e não me refiro a voto. Seja qual for a sua área de actuação, ela é política.

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