“Quando o Presidente não está, ninguém trabalha”

em DESTAQUES/REPORTAGEM por

2017 Foi um ano atípico, a província da Zambézia esteve mergulhada em meio a diversos escândalos no sector publico, pesou na vida dos cidadãos a crise económica que castigou os bolsos de quase todos. 6 Anos completos na liderança da capital provincial da Zambézia e a quarta cidade mais importante do Pais, o Jornal Txopela buscou ouvir a percepção pública sobre a prestação de Manuel de Araújo e do seu Governo em 2017.

Os nossos entrevistados dizem que houveram realizações conquanto não podem deixar de lamentar os factos negativos e que em grande medida mancharam o trabalho do executivo municipal e lesaram os anseios dos munícipes desta circunscrição geográfica.

Os pontos negativos referem-se há casos de abusos de poder perpetrados por chefes de pelouros, directores de departamentos e outros funcionários seniores daquela máquina administrativa municipal. Extorsão e corrupção activa nas vereações mais importantes e as ausências do edil em períodos iguais ou superiores a um mês constituem a mancha negra.

SANEAMENTO DO MEIO: “É visível o esforço da Edilidade”

Gil Namelo jornalista e activista social, explica que foram registados pontos positivos com destaque para aquisição de meios circulantes para a recolha de resíduos sólidos na autarquia e o desenho de uma estratégia funcional de recolha que tem vindo a surtir efeitos.

“É visível o esforço que está a ser empreendido pelo Conselho Municipal, portanto houveram avanços, foram adquiridos meios para garantir a limpeza e está sendo garantida a limpeza. Antigamente em Quelimane existiam locais que eram imundos, avenidas intransitáveis por conta do lixo, mas nos dias que correm, este cenário está alterado” e acrescenta “Com a implementação de um projecto designado Quelimane limpa com apoio da União Europeia, foi possível a instalação em cada rua ou avenida desta cidade de um cesto para deposito de plásticos de bolachas, pastilhas facto que não acontecia antigamente, o lixo é sempre recolhido, é de lamentar que alguns munícipes se comportem sem observar as regras estabelecidas”.

 “Vias de acesso estão num Estado crítico”

O nosso entrevistado condena com veemência o olhar impávido e sereno das autoridades municipais no que concerne a questão de transitabilidade das avenidas e ruas da Autarquia desde 2017, advoga que era necessária uma acção mais energética da vereação que superintende a questão da construção e manutenção das estradas ao nível da Urbe.

Leia:  Secretario do PODEMOS na Zambézia sofre ameaça de morte

“A maioria das estradas estão em péssimas condições, até as pavimentadas recentemente encontram em péssimas condições, há uma fraca manutenção dessas vias, primarias, secundarias e terciarias na cidade de Quelimane. Há avenidas extremamente caóticas, há muitos buracos, os carros passam mal, até os peões quando chove é impossível locomover-se com segurança ” — lamenta

“Quando o Presidente não está, nada acontece”

Um outro quadro que mereceu atenção minuciosa dos nossos entrevistados prende-se com as viagens do Presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo.

O académico moçambicano, Jeremias Messias lembra que desde o primeiro mandato, sempre houve uma queixa recorrente das viagens excessivas do Presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo. Conquanto o analista defende que é imperioso discutir se estas viagens são efectuadas na condição de presidente da Autarquia ou como académico “Eu penso que existe um plano do próprio município, estas viagens devem estar orçamentadas e aprovadas em sede da Assembleia Municipal, mas, é importante lembrar que o Araújo dá aulas em Universidades, julgo que à discussão não deve ser se faz muitas viagens, mas se estas viagens são feitas com o erário público ou não, e se, é correcto abandonar o posto de trabalho por muito tempo para atender agendas pessoais”.

Para o jornalista e activista Social, Gil Namelo as viagens lesaram os munícipes e principalmente aos empresários que dependiam da assinatura do autarca de Quelimane para o trâmite de diversos documentos para a prossecução dos seus planos de investimento. Munícipes tiveram seus sonhos comprometidos em situações em que precisavam de uma licença de construção entretanto o presidente não estava, por regra esse tipo de expediente demora muito tempo e o facto de o presidente não estar disponível engrossou o tempo de espera e propiciou para que funcionários desonestos extorquissem os munícipes. Gil Namelo, entende que está forma de liderança frustrou diversos segmentos da sociedade.

Leia:  2700 Alunos são beneficiários de carteiras

“Senti está ausência do edil de Quelimane, Manuel de Araújo, julgo que esteve mais tempo fora que no município de Quelimane efectivamente. Este facto pesou, julgo para que algumas situações tivessem lugar, por exemplo a criação e existência de redes de corrupção no seu próprio governo, os munícipes não tinham com quem falar e expressar sua frustração nos momentos mais importantes. Portanto em 2017 Manuel de Araújo não conseguiu acolher as preocupações dos munícipes ” vaticina, Gil Namelo.

Jeremias Messias lamenta a prática de alguns funcionários do Conselho Municipal de Quelimane, que em casos de ausência do presidente da autarquia, estes preferem não apresentar-se no seu posto de trabalho.

“Quando o presidente não está, nada acontece, traduz em absentismo dos funcionários, desde vereadores até aos simples técnicos, alguns departamentos encerram as portas quando o presidente Araújo viaja ao estrangeiro, o município não pode funcionar assim, o presidente tem os seus termos de responsabilidade, tal como, qualquer outro funcionário, não se pode traduzir o município numa única figura, as actividades devem ser desenvolvidas ”

Deixe a sua opinião

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.