LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

Duas estruturas práticas para ilustrar o quanto o fazer política em África está a mudar

em DESTAQUES/OPINIÃO por

Elias Castro — Sociólogo

Entre os debates mais intensos que permeiam a sociedade africana actual, uma questão que não pode ser colocada em segundo plano, é certamente a do presidente da Republica enquanto um representante de um país, fazer com que seu povo seja culpado por certos comportamentos errôneos de certos políticos. Isso não parece, em minha maneira de pensar, uma atitude sensata. Costumamos ouvir por aí coisas do tipo “os africanos não tem mais jeito”, “os nossos políticos são corruptos por natureza”, “Todos os partidos somente sabem defender os seus dirigentes portanto, são egoístas” e frases afins. Essa é uma visão já cristalizada no pensamento de boa parte de nosso povo.

Opinar sobre tão complexa matéria é deveras um desafio, no entanto, enquanto cidadãos, temos o direito e especialmente o dever de nos posicionarmos. Estou longe de ser sociólogo ou antropólogo, político ou juiz: Mas todos sabemos que um indivíduo é constituído suficientemente para pagar por suas falcatruas em sociedade ou no grupo social a que pertence. Por isso, não concordo que haja julgamento geral. É preciso que saibamos separar o bom do ruim, o honesto do corrupto, o bom-caráter do mau-caráter, o dissimulado do verdadeiro. Todos têm consciência do que seja certo ou errado e devem carregar sozinho o fardo de terem sido desleais, incorretos e vulgares, sem manchar a imagem daqueles que, por vias do destino, constituem certas facções que não apresentam, totalitariamente, uma conduta legal.

Diante disso, é razoável compreender que ainda que de forma tímida o continente africano está a conhecer algumas mudanças ao nível político. Para isso, tenho insistido na ideia de que, apesar de ainda haver um longo caminho para se alcançar a democracia plena, de forma frequente um pouco por todo o continente salvo alguns países, está a trazer à consciência dos políticos que precisam governar os seus países tendo em conta os interesses das nações e dos povos e não apenas dos que circundam o poder político económico e no impulso ainda maior rumo à participação política da população e à melhora na forma de governar dos países deste continente promissor.

Ora, até então o desenvolvimento da política multipartidária na África possuía alguns traços comuns. Muitos partidos priorizam melhoria do processo de tomada de decisões internas e consolidação do partido. Além do mais, levam em consideração a opinião de organizações populares, de seus membros e de indivíduos que não fazem parte do partido. Mas JACOB ZUMA E ROBERT MUGABE: Duas estruturas práticas para ilustrar o quanto o fazer política em África esta a mudar. Ambos os presidentes se viram mergulhados em escândalos e processos na Justiça que fizeram elevar o tom da contestação ao presidente.

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Com os seus países mergulhados numa crise política, muitos cidadãos a apoiarem a decisão de ambos se demitirem dos seus cargos. Estas histórias, tão diversas como a África, são apenas um pequeno exemplo da luta contínua. Assim sendo, tal como aconteceu com ROBERTO MUGABE no Zimbabué, o Presidente da África do Sul anunciou esta quarta-feira (14.02.2018) que decidiu renunciar ao cargo com “efeitos imediatos”, antecipando-se à moção de censura que o próprio Congresso Nacional Africano (ANC), movia contra ele. No entanto, os dois presidentes têm algo em comum: se rendem diante as dificuldades que enfrentam diariamente nos seus partidos.

Vale destacar que as críticas assentam na busca de um boa liderança – políticos que usem o seu poder para lutar contra a pobreza e criar um continente pacífico e próspero, o que me faz pensar que poderá melhorar o desempenho dos futuros líderes africanos e a sua visão relativamente ao continente. Toda essa pitada de descarga política são uma espreitadela à rica história política de África e sobre que lições dela se podem aprender tendo em conta os desafios de hoje. E revelam ainda de como a cada dia os cidadãos e as forcas políticas devem se adaptar na busca pelos direitos dos cidadãos africanos – e como estes são violados diariamente.

Talvez seja por isso que, contra a maré de ZUMA & MUGABE, temos vindo a acompanhar exemplos positivos vindos dos presidentes dos países como a Tanzânia, Namíbia, Angola, Libéria, para além de Maurícias, Cabo Verde, Botswana que têm-se esforçado em mostrar que boa governação não é uma característica de alguns países ocidentais e orientais mas sim é algo atingível pela maioria dos países africanos. Esses novos dirigentes devem ser capazes de “debelar os males” que assolam a região, mesmo se considerarmos que é um objectivo a muito longo prazo, mostra-se a vontade dos africanos de reagir.

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Essas situações são excepcionais e devem ser tratadas como tal. É a injustiça na condução das questões da nação que leva a isso. Quando há uma injustiça, exclusão de uma comunidade, violação dos direitos, há sempre conflito. Muito depende da condução das reformas políticas internas, no modo de integração na criação de uma nação. E aqui é preciso dizer que, independentemente de se gostar ou não, as lideranças se quiserem continuar a jogar o “futebol político”, precisaram mostram que estão comprometidas com o bem comum do continente africano, ou seja, que possam colocar tudo que a África possui.

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PS: Este colapso de ZUMA & MUGABE, são agora fonte de inspiração para parlamentares de todo o africano, que tentam fazer com que a igualdade historicamente dominada na política deixe de ser uma utopia. São ambos sinais que mostram que em África já ninguém considera um presidente com despesas improdutivas. A atitude mais sensata é sempre eliminar o problema em sua origem, em qualquer que seja a situação. Não podemos mais conceber, a essa altura, a recorrência a mecanismos imediatistas para sanar algo que poderia ter sido suprimido no passado. Os exemplos do insucesso estão em toda a parte: por não investirmos em educação, saúde, alimentação, e por ai em diante é que corremos atrás de bandido, vivemos inúmeras epidemias e, para completar, por isso que Africa não quer permitir castração de sua democracia, antes mesmo de ser concretizada.

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