Denunciamos, e depois?

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Nem todos os políticos são corruptos, assim como nem todos os jornalistas são covardes, ocorreu-me esta ideia quando quarta última decidimos lançar o primeiro número do Jornal Txopela para o ano 2018. Facto é que com as habilidades e o comando do Rogério Marques Júnior, actual editor executivo da publicação, conseguimos rejuvenescer as plataformas digitais e buscar um novo layout para o jornal físico. Mudamos tudo, menos a nossa forma de fazer jornalismo.

Na tarde daquela bela quarta-feira, após a revisão minuciosa dos conteúdos, o jornal saiu as ruas para o deleite dos nossos fiéis leitores, aguardamos as reacções e muitas foram motivadoras mas há quem preferiu mandar-nos recados, intimidatórios. E é a eles que dedico estas linhas…

O mundo é colorido, não preto é branco. Há os heróis de circunstância e os traiçoeiros casuais. Há quem tem carácter; há os desprezíveis. O homem é isso: multifacetado. E por ser tal qual um mosaico, o universo se converteu-se um domicílio hostil, onde a força predomina sobre a amabilidade e a estupidez ofusca a razão.

Moçambique e Quelimane não fogem desse cenário, assim como seus homens públicos, suas autoridades ou seus profissionais das mais variadas áreas. Queiram ou não, um microcosmo de nossa sociedade é composta por uma maioria de malvados dos mais diferentes tipos. E por uma minoria de políticos sérios. Compomos uma sociedade enferma, moral, ética e mentalmente.

Então não se deve expor aqueles que ferem a ética e o bem da sociedade?

Admira-me a relutância e incapacidade de alguns indivíduos de elaborar um raciocínio lógico.

A corrupção não é um mal menor, tem efeitos dominó, para cada centavo desviado menos um comprimido no hospital, ela [corrupção] deve-se combatida nos termos mais fortes possíveis, pela imprensa, pelos órgãos de justiça, pelo governo e pela sociedade no geral sem recuo e receios. No Semanário Txopela fazemo-lo com consciência patriótica, certos de que estamos a contribuir para o bem-estar de todos e para um Pais melhor. E não abdicaremos um centímetro desta nobre tarefa.

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Existem, em meio a esse ambiente de barbárie, pessoas que brilham, que são especiais, únicas, prenhes de valores que exaltam a vida, a alegria, a inteligência – a civilização.

Elas são a única esperança de que algum dia num futuro improvável, nos livremos da praga da injustiça, da doença da miséria, da síndrome da baixa estima e do verme da hipocrisia que apodrecem o nosso solo, o nosso ar, a nossa água e o nosso alimento. E devem ser exaltadas e faremos quando for necessário. Fizemo-lo na primeira edição deste 2018, há quem também não achou graça mínima, é hora de aclarar o critério usado para a nomeação das melhores figuras de 2017, TRABALHO! Prestaram um serviço público em benefício da comunidade e ponto.

De vez em quando surge alguém que nos lembra que o rio da história não segue indefinidamente um curso imutável, que ele pode ser alterado, que o homem é capaz de, com seu engenho, desviar seu leito para irrigar terras áridas e desertos inóspitos.

Estamos numa sociedade em que preferimos acreditar no pastor da igreja da esquina, aquela que cobra dízimos para que os fieis entrem pelos portões celestiais, do que em evidências factuais.
Esta forma de cultivar com extremo zelo o cinismo e a hipocrisia. Estar alheio aos males que enfermam a nossa sociedade é suicidar-se voluntariamente e pausadamente. Não contribuir para o bem-estar da sua comunidade equivale o mesmo. A nossa postura hoje é a nossa índole, a nossa herança – e muito provavelmente, o nosso destino. Façamos escolhas racionais.

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