Máquinas e auto-emprego para empoderar a rapariga

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A World Vision-Moçambique (WV-Moç) está a apostar na formação técnico-profissional para empoderar e dingnificar raparigas em situação de vulnerabilidade e vítimas de casamentos prematuros na província da Zambézia.

Nos últimos anos, cerca de meio milhão de raparigas foi salva de casamentos precoces pela WV-Moç em diferentes regiões da Zambézia, estando parte delas a beneficiar de cursos técnicos-Profissionais para assegurar o seu auto-sustento.

Há dias, mais 25 raparigas do distrito de Morrumbala, uma das regiões com registo de elevados casos de uniões precoces nesta província, iniciou uma formação em corte e costura, iniciativa implementada em parceria com o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFP), adistrita ao Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social, e a Direcção Provincial do Gênero, Criança e Acção Social da Zambézia.

As raparigas estão a ser formadas no manejo de máquinas e instrumentos de corte e costura. A formação tem uma duração de 45 dias e visa “dotar este grupo social de conhecimentos e ferramentas para recuperar a sua dignidade e auto-estima, através do auto-emprego”, disse, na ocasião, Ailton Muchave, Gestor do projecto de Protecção a Criança, da WV_Moç, na Zambézia.

O programa vai fazer com estas raparigas se afirmem na vida e que possam continuar a lutar por dias melhores, realizando as suas ambições e sonhos”, acrescentou o Gestor.

Por seu turno, Moseis Caetano, Inspector na Direcção Provincial do Gênero, Criança e Acção Social, apelou para a necessidade de todos os sectores da sociedade trabalharem para assegurar a continuidade de rapariga na escola.

Contudo, realçou, “o sucesso desta acção passa pela prevenção e erradicação de casamentos prematuros”, apontando as uniões precoces com o uma das principais razões dos altos níveis da desistência escolar das meninas na Zambézia.

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Um futuro promissor a vista

Para Saquina Andate, 16 anos e a frenquentar a 10ª classe, em Morrumbala, o curso aparece como oportunidade para garantir o sustento do filho, de dois meses, uma vez que ela é uma das muitas vítimas de um casamento prematuro e com impacto em gravidez precoce.

Saquina conta que por ser nova e ingênua deixou-se namorar e engravidar de um jovem da sua idade.

“A minha mãe obrigou-me a ir viver em casa do rapaz. Foi uma experiência muita mã porque nenhum de nós estava preparado para aquela união e muito menos sustentar uma gravidez”, recorda a menina, ajuntando que depois de muito sofrimento e desprezo por parte dos pais do rapaz “a mamã foi sendo aconselhada por uma equipa da WV_Moç a a receber-me de volta à casa e continuar a estudar”.

Com este curso poderei apoiar os meus pais a sustentar o meu filho, enquanto estudo para um dia ser uma grande advogada e dedicar-me à defesa dos direitos de todas as crianças”, disse, já optimista quanto ao futuro.