PARADOXO: Preservação de mangal Vs necessidade de sobrevivência

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Por: Jacinto Castiano –


Quelimane (Txopela) – Está cada vez mais visível a destruição de mangal na zona limítrofe entre o bairro Icídua e Janeiro na cidade de Quelimane, aliás, há anos atrás era uma zona de recorrência para extração de recursos para produção de carvão vegetal para uso doméstico e estacas para construção de palhotas e outro uso domestico, mas hoje não é possível encontrar os mesmos recursos, apesar dos esforços que tem vindo a ser feitos pelas autoridades governamentais coadjuvados pelos seus parceiros de cooperação.

Se por uma lado a necessidade de preservação de mangais constituiu uma prioridade e por via disto travar a galopante onda de destruição dos mangais, por outro a luta de sobrevivência, proposta por Charles Darwin incentiva a destruição do mesmo.

A Reportagem do Jornal Txopela, procurou conversar com alguns produtores e comerciantes da carvão vegetal na zona designada por Majante, ao que apuramos, o carvão comercializado ali vem de uma zona do interior do distrito de Inhassunge, sul da capital provincial da Zambézia, Quelimane.

Hamilton Laurindo, produtor e comerciante de carvão vegetal no Majante, disse em entrevista ao Jornal Txopela, que nos últimos dois anos tem recorrido a zona de Namirenge, no distrito e Inhassunge.

“Para conseguir ter este carvão tenho que fazer um exercício muito grande, atravesso três rios para uma zona no fundo para encontrar salgueiro e outro tipo de madeira para extrair carvão, isso porque na zona próxima não é possível apanhar nada” – afirmou a fonte.

Questionado sabia alguma coisa sobre a preservação dos mangais, a fonte disse que sim, mas sublinhou não ser por vontade que faz tal actividade. “Eu não faço isso porque quero ou porque gosto, a vida esta difícil, tenho família por alimentar, uma forma honesta de assumir o meu papel de chefe da família é produzir carvão”.

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A fonte explica que leva cerca de um mês para produzir o carvão, é no entanto um trabalho muito aturado.

Hamilton Laurindo diz estar a fazer a actividade de produção e venda de carvão a mais de cinco anos e praticamente vive disso. Depois de produzido o carvão é vendido a 120 meticais um saco de cerca de 40 kg, o saco que anteriormente custava a 75 a 80 meticais. Questionado sobre o porque desta subida, Hamilton explica que deve-se as dificuldades de produção pelo excasseamento da madeira no interior dos mangais aliado ao elevado custo de vida, pois segundo disse, se vender a um preço baixo poderá não conseguir comprar alguns produtos para seu consumo.

Entre outros entrevistados, Manuel Cardoso, explica que a necessidade de preservação dos recursos naturais, nesse caso vertente a preservação do mangal, é muito bem conhecida mas há necessidade de manter a vida e por isso mesmo optam por produzir carvão.

Já os retalhistas, o saco que anteriormente custava 100 a 110 meticais, actualmente vendem a 150 meticais. “Nós subimos o preço porque os produtores subiram, se não nós não teremos lucro” – disse dona Fina Francisco, retalhista de carvão no Majante.

A fonte disse que os clientes reclamam mas não há como compram assim mesmo, para além de que carvão seja um produto de primeira necessidade. #

 

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