Eleições autárquicas em Quelimane: Renamo entra na corrida

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renamo-entra-na-corridaQuelimane (Txopela) – Após o fim do prazo legal de inscrição dos partidos políticos e organizações para as eleições Autárquicas de 2013, ficou confirmado pelo Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) a abstenção da corrida eleitoral da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), segunda maior força politica do Pais para liderança das autarquias moçambicanas por motivos internamente convincentes, nomeadamente a alegada fragilidade da Lei Eleitoral perseguição entre outros, a Resistência Nacional de Moçambique (Renamo) desta vez acordou mais cedo para poder fazer face aos pleitos de 2018, numa altura em que pouco mais de dois anos e meio estão ainda pela frente.

Para o efeito, mais de uma centena de membros e simpatizantes daquela que é a segunda maior formação política no país, estiveram recentemente reunidos na capital provincial da Zambézia, Quelimane, para dentre vários pontos debater a actual situação política do país e desenhar estratégias com vista a sua participação nos próximos pleitos eleitorais de nível autárquico.

“Nós estamos aqui para planificarmos as próximas eleições autárquicas para que saiamos com vitória e dar o resumo das negociações que decorrem neste momento”, – disse Dany Abdula, membro da Comissão Política Nacional da “perdiz”.

No referido encontro, o partido de Dlakhama referiu que tudo fará para posicionar-se de forma séria nos próximos escrutínios e que para isso avança a necessidade de conhecimento profundo sobre as normas que regem estes processos por parte de todos membros e simpatizantes e associado a isto, tecer estratégias de maneira atempada para debelar qualquer tentativa “manhosa” dos adversários políticos.

Além de uma discussão em torno das estratégias para levar a melhor nos pleitos eleitorais de 2018 que dominou o encontro como anteriormente nos referimos, não ficou de fora a questão da morte dos membros e simpatizantes daquela formação política que nos últimos tempos tem sido quase de forma recorrente e cujos autores são os mediáticos esquadrões de morte.

Dany Abdala, vaticinou na ocasião que o partido do qual faz parte, sempre ganhou os pleitos, entretanto as forças policiais e processos de viciação dos resultados sempre os colocou à margem da governação propriamente dita e que tal facto não se vai registar desta vez, referiu.

“O povo está connosco”

O Delegado político provincial da “perdiz” na Zambézia, Ossifo Abdala, disse na ocasião que o povo está do lado da Renamo e salientou que o seu partido não vergará contra os atentados à vida dos seus membros. “Somos alvos mas não é sinónimo de nos recuarmos, eles querem silenciar a voz do povo”, – rematou Abdala.

A RENAMO apela aos mentores das acções que atentam a vida dos membros de partidos da oposição a colocarem a mão na consciência e enveredar por caminhos de paz. O Delegado politico do partido ao nível da Zambézia refere que “conhecemos onde dorme o governador, conhecemos onde dorme o administrador, conhecemos onde esta a OMM ou o Secretario da Frelimo mas não queremos alinhar por essa via”.

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Sem avançar dados de quantos membros do seu partido foram “abatidos” pelos mediáticos esquadrões de morte, aquele político explica que o facto não fragiliza o seu partido advogando que serve de combustão ou motivo de mais força para o alcance das suas metas.

Questionado sobre as investidas das Forças de Defesa e segurança do governo contra os quartéis da Renamo, Abdala, referiu que a PRM é quem deve trazer as evidências desses ataques, revogando tecer qualquer comentário a respeito.

Renamo é bem-vinda Pita Duarte, FRELIMO.

Sobre a entrada da Renamo as corridas eleitorais de 2018 a nível da autarquia de Quelimane, o partido Frelimo ao nível da cidade de Quelimane, diz que a entrada da Renamo nas corridas eleitorais para a direcção da autarquia de Quelimane é bem-vinda e isso fortalece em grande medida a jovem democracia moçambicana.

Este dado foi referido pelo secretário do comité da Frelimo na Cidade de Quelimane, Pita Duarte, quando abordado pela Reportagem do Jornal Txopela para reagir a esse reaparecimento da Renamo na luta pela direcção do Municio de Quelimane e não só.

“Eu creio que a Renamo é muito bem-vinda, a democracia dita isso, se da vez passada a Renamo não concorreu foi por vontade própria não foi por proibição de ninguém e se desta vez quer concorrer ainda bem, porque é isso que dita a democracia, se vierem, bem-vindos”– disse.

Pita Duarte, disse na ocasião que se a Renamo vai afectivamente entrar na corrida deve ter a postura de um partido verdadeiramente político, porque segundo disse, Renamo sempre que realizam-se pleitos eleitorais e perde não concorda com os resultados e vai apontando a Frelimo.

Na ocasião, Pita Duarte, realçou a necessidade de o partido de Afonso Dhlakama aceitar as negociações de modo que a população saia do sofrimento em que se encontra já há bastante tempo, tendo vincado que com armas não se pode resolver absolutamente nada.

“O nosso desenvolvimento está ir a baixo por causa desta guerra, vamos todos como moçambicanos, ouvir o que o governo quer e avançarmos juntos rumo ao desenvolvimento. O que nos queremos é a paz, nas igrejas reza-se pela paz que bastante importantes para os moçambicanos alavancarem as suas metas do ponto de vista de progresso, a Renamo que aceite!” – imperou.

Pita foi mais longe ao apontar que quando chegar a vez de a Renamo ganhar há-de ganhar. “Já houve mitos sítios que a Renamo já ganhou e a Frelimo nunca fez questão, esse Município de Quelimane ganharam os outros a Frelimo não fez questão, ganhou, então se ganhou a Frelimo não vai dizer não e nunca fizemos guerra por causa disso, só a Renamo é que faz guerra por causa disso, por que não esta seguro onde esta ou talvez não sabe o que realmente é a democracia”, – disse para depois manifestar sua fe em relação a existência de resultados na mesa de negociações na capital do país, para a tranquilidade dos moçambicanos.

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MDM enaltece e aponta dedo a Renamo

Sobre a entrada da Renamo às corridas eleitorais ao nível da autarquia de Quelimane e não só o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) ao nível da Zambézia, diz é sinal inequívoco do fortalecimento da democracia no país.

O delegado político provincial disse em entrevista ao semanário Txopela que os instrumentos legais em Moçambique oferecem a possibilidade de qualquer um poder concorrer.

Na sequencia aquele politico apontou dedo a Renamo como sendo aquela que esta a brincar com o povo moçambicano, pois segundo disse, não vê como o povo poderá olhar a Renamo pois a mesma tem estado posicionada com armas matando pessoas e meia volta e meia vai dizer vote em mim. “Se a Renamo quer realmente concorrer as eleições autárquicas, deve se afirmar e agir como um partido verdadeiramente político. O MDM, nunca pegou em armas mas está a governar e mais não pode pensar que o povo poderá votar por causa de medo, um povo não pode ser governado por medo”, disse a fonte.

Aquele político considera ainda que a Renamo já esteve a governar algumas autarquias do país, depois desapareceu foi ao mato, agora querer voltar a concorrer, isto é bom para o país, mas deve se esclarecer melhor sobre quais são os seus objectivos.

 ” Quando se vais a uma corrida eleitoral espera-se ganhar e perder e quando se perde não se pode pegar em armas para ameaçar e matar as mesmas pessoas que queremos governar, isso é anti-democrático”, – sublinhou aquele político. (Jacinto Castiano)

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