Como seria um país de “merda”?

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Imagina-se um lugar em que falta de tudo um pouco. Um lugar que não oferece minimas condições de vida ao seu povo. Que não oferece capacidades de ascenção social devido às amarras culturais. Um país que, embora com abundância de recursos, a madeira por exemplo, as escolas não têm carteiras. Um país em que o acesso aos serviços públicos é defeituoso e de baixa qualidade. Um país que a sua soberania guia-se a mercê dos ditames de quem o financia… A lista pode crescer, mas é disto que ocorre-nos quando pensamos num país de merda.

Foi na reunião sobre a nova lei de imigração, havida na última quinta-feira 11, que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insultou os países africanos utilizando o termo pejorativo “country shithole”, que pode ser traduzido para “países de merda”. O conceito de merda, no sentido restrito, refere-se às fezes expelidas por um organismo vivo, usualmente, expulsas do corpo pelo ânus.

Esta posição não é comprada por todos os americanos. Talvez tenha colocado-lhes numa situação de desconforto. Até porque vimos algumas figuras, sobretudo os embaixadores dos EUA em África a pedirem desculpas pela forma como o seu Presidente insultou os africanos. Mas, o que o presidente queria criar quando proferiu-se daquela maneira? Proibir a entrada das “merdas” nos EUA e permitir a entrada dos mais abastados, como os noruegueses, por exemplo? De resto, é um discurso que mexeu muito com a autoestima dos africanos, no geral, e dos moçambicanos, em particular. Alguns condenam a posição de Trump e outros encontram algumas verdades.

Os que condenam apontam que o racismo e a xenofobia patentes no discurso atentam ao seu bom nome, um direito básico, e cria feridas que podem minar as relações diplomáticas entre EUA e África. Estes dizem ainda que os países africanos não podem ser considerados de “merda” porque, EUA é o que é hoje, em parte, graças à divisão e pilhagem empreendida por eles na África por conta do seu desenvolvimento.

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Os que apoiam o seu discurso advogam que constitui um apelo directo aos líderes africanos de melhor velarem às necessidades de desenvolvimento dos seus povos garantindo acesso de melhores serviços básicos, melhor distribuição da riqueza, geração de mais e melhores empregos para os jovens, combate cerrado a corrupção, criminalidade, mendicidade, etc. o que, em última instância, pode reduzir a migração de pessoas em busca de melhores condições ou oportunidades nos EUA.