Mudar? Sim, mas para o melhor!

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Mudar é um processo oneroso para muitos de nós. Estamos muitas vezes numa zona de conforto que nos dá a sensação de não precisar de nada mais a acrescentar. Todavia, a mu­dança não pode ser esquivada quando quisermos sobreviver, pois tudo está em constante mutação e precisamos de nos reinventar aos contextos.

Quando um sapato estiver a apertar, porquê insistir? Há muitos sapatos por aqui que já não cabem aos nossos pés. Alguns que notaram isso já optaram em experimentar um outro número e dizem que estão mais felizes agora. Já não sentem dor e nem vêm os inchaços nos seus pés. Essa frescura é resultado de mudança, portanto.

Por ser um processo irreversível, Moçambique mudou e os moçam­bicanos também mudaram [alguns]. É verdade que hoje há mais esco­las, mais hospitais, mais electricidade e por aí vai. Ao mesmo tempo a população não parou de crescer: hoje somos mais de 28 milhões. No entanto, há, ainda, moçambicanos sem acesso aos serviços básicos com destaque para saúde e educação.

Aumentaram também os malefícios sociais. A nossa economia foi clas­sificada na categoria de “lixo” pelas agências internacionais de ratings. Os políticos, pelos seus dividendos, foram menos tolerantes e optaram por conversar por meio das balas causando, por isso, inúmeras mortes de civis. Fomos mais corruptos e o crime organizado ganhou eco nos diversos casos de raptos reportados.

Nota-se, hoje, igualmente, uma melhoria da consciência dos cidadãos e há cada vez mais pessoas, a titulo individual e colectivo, a envolverem-se em acções de advocacia em prol do desenvolvimento do país. Por causa disto, a vigilância sobre as acções do governo também aumentou. Em paralelo a isto, edifica-se uma campanha subliminar que tenta colo­car-nos apáticos e amnésticos aos nossos problemas. Afaste-se desta campanha que tenta tornar a sua mudança num processo desatento, alienado e pouco exigente.

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A luta para mudar todos os males da nossa sociedade deve continuar! Samora Machel, 1º presidente de Moçambique independente, disse que devemos continuar engajados para mudar a consciência, muito pre­sente, do tribalismo que nos separa. A ignorância que nos escurece, o analfabetismo que nos prende, a miséria que nos enfraquece, a fome, o pé descalço, a exploração do homem pelo homem, a superstição, etc. A luta continua para que sejamos, todos, homens iguais.

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