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CORRUPÇÃO NO CMCQ: Araújo ordena investigação das denúncias

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O Presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo anunciou em Dezembro último a criação de uma comissão para apurar a veracidade das denúncias de corrupção apresentadas pelo jornalista e Director do Jornal Txopela, Zito Ossumane e das reclamações e provas apresentadas por munícipes da autarquia acerca dos esquemas de corrupção existentes na vereação de Infra-estruturas e habitação daquela instituição, uma rede comandada por Yassin Calú-ex chefe do pelouro.

O pronunciamento de Manuel de Araújo à imprensa pela primeira vez do caso surge depois de o jornalista ter entregue aos Serviços Nacionais de Investigação Criminal sob pedido da Procuradoria local, documentos que atestam os esquemas de corrupção em andamento no Conselho Municipal de Quelimane. E da exoneração publica de Yassin Calú, ex-vereador para área de infra-estruturas e habitação.

“Quando alguém do governo municipal falta a verdade, quando alguém do governo municipal falta o compromisso, quando alguém do governo municipal é corrupto, vocês foram os primeiros. Há casos que mesmo eu não conhecia, a inspecção do município não conhecia, nos conhecemos esses casos graças ao vosso trabalho”

Confessa Manuel de Araújo, referindo que a postura editorial e a coragem dos jornalistas do Semanário Txopela foi determinante para o descobrimento destas actitudes que ferem a transparência e boa gestão da coisa pública.

“Não me quero esquecer do trabalho de muitos jornalistas, muitos foram ameaçados por estarem a dizer a verdade, por estarem a defender os interesses dos munícipes de Quelimane. Quero agradecer pelo trabalho e coragem que tem tido ao longo destes anos de desafiar tudo e todos principalmente aqueles que tem poder”.

Manuel de Araújo entende que é preciso incentivar esse jornalismo fiscal ao nível da cidade de Quelimane e no País que aborda de forma directa e sumária os problemas e busca por soluções. O jornalismo não se deve compadecer com o servilismo e adulação mas sim trabalhar para um interesse superior, o bem-estar de todos.

“Quero vós garantir, todas as denuncias que vocês fizeram, estão a ser investigadas pela Inspecção” e acrescenta “depois de receber os relatórios da inspecção, nos vamos reagir se houver matéria criminal vamos submeter ao tribunal e aos órgãos da justiça. Se houver matéria disciplinar nós vamos promover um processo disciplinar”.

No entanto, o facto de Manuel de Araújo ter ignorado copiosamente estas denúncias por cerca de 7 longos meses não foi surpresa. Nunca foi intenção de enegrecer, como se procura fazer crer, a imagem do autarca Manuel de Araújo ou de toda uma instituição, mas chamar a atenção para a violação grosseira dos direitos fundamentais dos cidadãos, consagrados na Constituição e o atropelo da lei e normas de funcionamento de uma instituição pública.

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Fica desde já a nota positiva pelo facto de Manuel de Araújo ter agido prontamente. Demonstra que é sensível diante da situação de violação e existência de redes corruptas no seu governo, e que o tema consta da agenda das suas prioridades.

Da nossa parte, continuaremos a monitorizar, a investigar e a denunciar o que está errado, num compromisso com o respeito pelos direitos fundamentais de todos moçambicanos.

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