Travado acesso de menores a espaços de diversão noturna

em SOCIEDADE por

Por lideranças comunitárias em algumas regiões da Zambézia

Por: Jaime Ubisse

As autoridade comunitárias de Munhiba, no distrito de Mocuba, na província da Zambézia, estão a ser bem sucedidas na limitação do acesso de menores de idade a espaços de diversão noturna instalados, na sua maioria, ao longo da Estrada Nacional Número 1.

A título de exemplo, Humberto Mudanga, líder comunitário em Munhiba, conta que devido à localização desta região, as casas de diversão noturna da região eram, antes, palco de poluição sonora e de consumo de álcool de diferentes marcas e grau até altas horas da noite ou de madrugada.

Munhiba, realça-se, é uma zona pacata, mas preferida por motoristas de longo curso para o respouso nortuno, desde que o Governo decretou a proibição de circulação de viaturas no período da noite, como forma de travar acidentes rodoviários.

Infelizmente, “as nossas meninas, ou seja, as catorzinhas, iam lá expôr-se à protituição, enquanto que os rapazes dedicam-se ao consumo de álcool”, recorda, com amaugura, o líder Humberto, salientando que tal facto constituia uma das principis causas da desistência escolar dos jovens da zona.

A força da liderança

Ultimamente vendem-se bebidas álcoolicas sem nenhuma qualidade e à preços acessíveis aos jovens”, lamenta Herculano, acrescentando, entretanto, que desde o princípio deste ano que a situação tende a inverter-se não só em Munhiba como nas localidades circunvizinhas.

“Para salvar a juventude fomos sensibilizando os proprietários das casas de diversão noturna a interditar o acesso de menores àqueles espaços, depois das 16 ou 17 horas”, revela este líder comunitário pertecente ao comité local de protecção à criança, criado pela World Vision_Moçambique (WV_Moç) para a defesa e promoção dos direitos da criança.

Leia:  Combate a erosão ainda é uma miragem na bacia do Zambeze

“O papel do líder comunitário ainda bastante respeitado nesta área”, diz Herculano Mudanga, sublinhando, entretanto, “foi graças aos conhecimentos adqueridos na Visão Mundial que estamos a conseguir convencer as famílias e aos agentes económicos a impedir que as crianças tenham acesso noturno àqueles ambientes”.

“Antes era comum, num espaço de um mês, resolvermos casos de gravidez precoce ou de casamento prematuro”, mas porque a população já está consciêncializada já passam quase três meses sem ocorrência deste fenómeno na zona”, disse, lisongeado do seu papel na comunidade.

Em parceria com o Governo da Zambézia, a WV_Moç estão a levar a cabo uma série de iniciativas que visam reter a rapariga na escola, desde a colocação de professoras e enfermeiras nas localidades para servirem de modelo, aquisição de roupa, calçado e material escolar, bem como a criação de círculos de interesse para estimular a sua permanência e formação para que no futuro possam desempenhar uma profissão útil à sociedade e contribuir para as suas próprias sociedades.