LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

Abdul Razak

Abdul Razak e as palavras insensatas

em DESTAQUES/EDITORIAL por
Zito Ossumane Direcror do Jornal Txopela

“Apraz-me comunicar que o oficial em alusão encontra-se beneficiando de uma capacitação técnica no comando da unidade e que devido a exiguidade do efectivo, a protecção da residência oficial de V. Excia, é assegurada pelo ajudante de campo afecto a residência do Juiz Presidente do Tribunal Judicial Provincial, situado na sua vizinhança. ” Foram estas as palavras que Abdul Razak, governador da província da Zambézia escolheu para justificar o facto de a residência oficial / protocolar do presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo encontrar-se a mais de três (03) meses sem a força de segurança do Estado, pertencente a Sub-unidade de protecção de altas individualidades na Zambézia. Uma unidade operacional destinada fundamentalmente, a garantir a segurança pessoal dos dirigentes superiores do Estado, seus locais de residência e de trabalho, e de Altas Entidades estrangeiras quando em visita ao País, para salvaguarda da sua honra e integridade física.

A coerência manda desmentir-lhe senhor Governador!

Abdul Razak
Abdul Razak

Se ponderasse o peso de algumas palavras antes de soltá-las ao vento, por certo sua excelência Abdul Razak olharia para o cenário instalado em Moçambique onde a poucos dias foi brutalmente assassinado um autarca com o mesmo gabarito que Manuel de Araújo.

Sua excelência olharia para questões como às denúncias que o edil de Quelimane vem proferindo sobre as ameaças a sua integridade física e da sua família. O ilustre governador teria o peso na consciência de afirmar coisas como “exiguidade do efectivo” com uma corporação da PRM inundada de agentes “folgados”.

Estas desculpas são próprias de quem não está interessado em resolver um problema que para os munícipes de Quelimane, os cidadãos deste País e o mundo preocupa. Trata-se da vida de um cidadão moçambicano e servidor público e que por “golpe de azar” é seu adversário no circuito político.

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É lamentável que à justificação plausível para sua excelência seja que a residência do edil é protegida pelo guarda do seu vizinho, a mim não cabe a ideia, aliás não acho factível, não compreendo como em termos de segurança o mesmo guarda possa defender duas residências mesmo que sejam vizinhas.

Alguns não verão isso como meras palavras circunstanciais, com as quais Abdul Razak quis tranquilizar o edil que a sua segurança está acautelada. Mas é avisado isso vai para além disso. É preciso começar a prestar atenção para o que está a acontecer no País e a forma como o crime organizado tomou conta da Nação.

De si excelentíssimo governador aprecio a sua maturidade na gestão da máquina administrativa provincial principalmente, mas o que preocupa não é, apenas, a falta de tacto com a palavra. É, também, o despropósito com que recorre a determinados actitudes/ posições.

No seu partido e membros do seu Governo falam com dissabor outros nem tanto da sua reforma merecida, acho justo que saia nesta província “cristalino” como entrou. Plural como nos habituou, era bom que pondera-se a sua posição em nome de um bem maior, vida, como médico e politico julgo que compreende a dimensão desta carta escrita a partir de INHASSUNGE.

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