Boladas dos nossos dirigentes estão a afundar a província

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Luis-de-Figueiredo-_-Jornal-Txopela-300x150 Boladas dos nossos dirigentes estão a afundar a provínciaPor Luís de Figueiredo

A lufa-lufa de corrupção e desvio estratégico de fundos do Estado está a ser uma prática recorrente no seio daqueles que deveriam ser os guardiões da coisa pública na província da Zambézia. A algum tempo à esta parte, não constitui novidade ouvir que o Director fulano ou o Administrador sicrano está preso por desvio de fundos do Estado. Ora vejamos:

No ano passado, um grupo de funcionários afectos a diversos subsectores do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Inhassunge foi conduzido às celas, acusados de crime de falsificação praticada por servidor público. Este ano, por comprovado envolvimento em esquemas fraudulentos, um relatório produzido pela inspecção da Direcção Provincial da Agricultura e Segurança Alimentar acusou Marcelo Chaquisse, então Director daquela instituição, de desvio de fundos e outras astúcias que não abonam a imagem de um servidor público, acusações que culminaram com o descerramento de um processo disciplinar e o seu afastamento do sector que superintende questões de agricultura na província central da Zambézia. Uma semana depois do afastamento de Marcelo Chaquisse, o Ministério Público através da procuradoria provincial da Zambézia acusou Armindo Primeiro, ex-diretor Provincial da Educação e Desenvolvimento Humano e 7 dos seus colaboradores directos, de participação económica em negócios, simulação e abuso de cargo, num processo registado sob o n° 375/2016.

De resto, se formos a citar todos os casos de corrupção na Zambézia, entre os mediatizados e os que estão em segredo de justiça, estaremos a ocupar um grande espaço das nossas nobres páginas para aquartelar a sem-vergonhice dos nossos servidores públicos.

Recentemente, depois de muitas tentativas frustradas no sentido de obter alguma reacção por parte do Governo do Distrito de Chinde, finalmente o actual Administrador daquele distrito aceitou pronunciar-se sobre mais um negócio mal explicado, envolvendo membros da máquina governativa da província da Zambézia.

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Pedro Virgula teve a coragem suficiente de afirmar aos órgãos de comunicação social que a governação que o antecedeu na gestão do distrito de Chinde cometeu um grave erro ao efectuar pagamentos a um cidadão “desconhecido” para fornecimento de máquinas agrícolas ao Governo do Distrito de Chinde num valor de 8 milhões de meticais, sem nunca ter algum contacto presencial com o tal fornecedor.

Não sou perito em economia e finanças, mas qualquer um pode entender muito bem que algo aqui não está bem. Ora, “o concurso foi lançado, alguém mandou as suas propostas fechadas para o distrito, foi apurado e o valor foi depositado na sua conta sem sequer conhecer o distrito de Chinde”. Disse Virgula, levantando a minha inquietação quanto ao cumprimento das normas em vigor no Pais respeitantes ao fornecimento de bens e prestação de serviços ao Estado.

O caso foi participado a Procuradoria Provincial da Zambézia para ressarcir os direitos do Governo do Distrito de Chinde e responsabilizar o fornecedor desertor pelos seus actos.

Mas a questão que não se pode calar é: E os que o contrataram sem nunca ter sentado com ele para tratar do negócio, o que acontecerá?