Poluição ambiental: Alif Química continua a colocar vidas em risco

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Alif-Química-continua-a-colocar-vidas-em-risco2-300x200 Poluição ambiental: Alif Química continua a colocar vidas em riscoQuelimane (Txopela) – Moradores do Bairro Saguar arredores da cidade de Quelimane continuam no drama da incerteza devido ao alto nível de poluição ambiental feita pela empresa Alif Química, uma indústria de produção de sabão e óleo alimentar, o governo é acusado de compactuar devido ao olhar impávido e sereno sobre a situação.

O problema é bical e foi despoletado pelo Semanário Txopela na sua edição nº 7 datada a 5 de Setembro de 2016, onde os moradores queixavam-se do cheiro nauseabundo e substancias altamente tóxicas que aquele estabelecimento arremessa a vala de drenagem que situa-se no meio da comunidade, passados dois meses a reportagem voltou ao local para apurar a actual situação, entretanto tudo continua no mesmo estagio e a população visivelmente agastada refere que nos últimos dias esta insuportável morar naquela circunscrição e uma vez mais solicita uma acção mais energética de quem de direito.

A referida vala de drenagem que serve de ponte para o escoamento de produtos altamente tóxicos por parte da empresa em alusão e que são drenados directamente no rio dos bons sinais, rio que banha a cidade de Quelimane faz parte das infra-estruturas erguidas pelo Governo Moçambicano com fundos do Millennium Challenge Account (MCA) com vista a ajudar o escoamento de aguas pluviais dos bairros ao rio, oferecendo assim melhores condições de vida a população, desde que aquele sistema esta em funcionamento, diminuiu drasticamente o nível de doenças diarreicas e outras na urbe. As obras custaram 27.2 milhões de dólares norte americanos e contemplaram, para além das valas de drenagem, a construção de dez sanitários públicos em vários mercados da cidade de Quelimane. Com esta medida, pretendia-se fazer face ao crónico problema de saneamento do meio desta urbe, a quarta maior do país.

Os cidadãos residentes naquele bairro e que aceitaram falar ao Semanário Txopela esta segunda-feira (14) apontam o dedo acusador ao Governo da Zambézia e ao Conselho Municipal de Quelimane de supostamente estar a compactuar com a acção daquela empresa, pois segundo dizem, já há bastante tempo que reclamam e não foi feita uma intervenção séria no que condiz a garantia de saúde e bem-estar da população.

Os efeitos nefastos do cheiro nauseabundo e tóxico exalado pelos resíduos saídos da Alif Química, não afectam exclusivamente o bairro Saguar, mas também os outros circunvizinhos como é o caso do bairro Novo, Canecos, Avenida Pio Matos entre outros.

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Anabela Tomás Francisco, moradora de já a longa data naquele bairro disse em entrevista ao nosso Semanário que o Instituto Nacional de Acção Social (INAS), teria se feito ao local mas parece que foram corrompidos por dinheiro e mantiveram-se calados. “Esses peixinhos “nova família” (maithatha) aí na drenagem morrem por causa do líquido sujo que a fábrica despeja. Agora porque tudo isso? Nós somos pessoas”, – lamentou a nossa entrevistada.

O que mais preocupa a população daquele bairro é a saúde dos seus filhos, esses que segundo dizem não sabem nem se defender contra cheiros nauseabundos saídos daquele estabelecimento fabril durante a noite, provocando assim problemas respiratórios quase de maneira recorrente.Alif-Química-continua-a-colocar-vidas-em-risco2-300x200 Poluição ambiental: Alif Química continua a colocar vidas em risco

“Normalmente essa fábrica não deveria estar próxima da população, poderiam arranjar um lugar para colocarem, porque para além de todos outros problemas a fábrica está perto do mercado. Esse mercado vende peixe, alimentos e tudo que se consome com esse cheiro já não dá”, – disse um outro cidadão entrevistada pelo Txopela.

Lúcio Luís Cabral, um outro cidadão residente nas redondezas da indústria lamentou em entrevista quando os proprietários da empresa são abordados não dão uma resposta satisfatória. “Nós é que saímos prejudicados e eles é que saem beneficiados porque a fábrica está a funcionar e estão a produzir lucros”, -lamentou tendo no entanto questionado, se na verdade o maior valor era a vida como dita o lema do Ministério da Saúde em Moçambique ou era o lucro, dinheiro.

Muitos outros cidadãos que puderam falar ao Txopela, lamentaram amargamente a situação vivida naquele bairro e apontam o fumo negro, e o óleo bruto que a fábrica liberta com sendo bastante tóxicos e outros efeitos colaterais no entanto são incompreensíveis sem aparelhos laboratoriais.

Direcção da empresa fecha-se

A nossa Reportagem dirigiu-se às instalações daquela instituição na tentativa de ouvir as reacções da direcção a respeito das questões levantadas pela população, mas tudo agua a baixo, porque ninguém quis prestar quaisquer declarações.

 Na conversa com um dos funcionários cuja identidade não apuramos afirmou que eles, conservam os resíduos de sabão num tanque aberto, e há um carro que faz serviços de recolha dos mesmos todas sextas-feiras, e são despejados longe da fabrica, contrariando as evidencias no local.

Na insistência pedimos para conversar com o director a respeito do assunto mas este estava ausente. O aguardamos por cerca de uma hora conforme um dos funcionários teria sugerido, este apareceu mas provavelmente teria instruído a um dos seus para dizer que, tiveram uma inspecção repentina do sector da Indústria e Comércio de Maputo e segundo nos foi dito, estes vinham provar o que teria sido publicado pelo nosso Semanário em Setembro a respeito daquela empresa onde a população exigia o encerramento imediato da fábrica por mesma ser vista como um atentado a saúde.

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Num outro passo, a mesma fonte fez um comentário “infantil e sobretudo de brincadeira de pouco mau gosto” quando disse não ter tempo para dar esclarecimento à respeito porque estava muito calor.

Sector de tutela está reticente 

Sobre o assunto, a nossa Reportagem do Txopela ouviu a Direcção Provincial da Indústria e Comércio da Zambézia através do respectivo director, Amade Juízo, para compreender se realmente o sector sabe do assunto e diante do assunto quais os passos que a instituição pretende levar a cabo para dirimir este conflito.

Juízo, não disse que sabe, mas também não disse que não sabe, apenas escusou-se a falar sobre o assunto, alegadamente porque o assunto cabia a Direcção Provincial de Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, embora esteja-se a falar de Indústria.

Respostas são escassas no Sector de Ambiente

Entretanto, dirigimo-nos à Direcção Provincial da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural da Zambézia (DPTADER), para junto dela compreender se algum trabalho prático está sendo feito e ou pensa-se em fazer em resposta ao grito de socorro daquela população.

No Departamento de Inspecção Provincial da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, um profissional do sector disse que a questão devia ser colocada ao director e para o efeito devíamos nos dirigir à secretaria, onde nos foi dito que estava ausente, portanto, o nosso trabalho não logrou intentos, todavia, prometemos trazer as declarações da Direcção Provincial da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural da Zambézia a respeito desse assunto nas próximas edições desta publicação.

A luz do primeiro ponto do art. 9 da Lei Ambiental n° 20/97 de 1 de Outubro “Não é permitida, no território nacional, a produção, o deposito no solo e no subsolo, o lançamento para água ou para atmosfera, de quaisquer substâncias tóxicas e poluidoras, assim como a prática de actividades que acelerem a erosão, a desertificação, o desflorestando ou qualquer forma de degradação do ambiente, fora dos limites legalmente estabelecidos.” (Redacção)