Por causa de nossa “trafulhice” : Próximas gerações poderão guerrear-se uns aos outros

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  • Adverte Betinho Jaime

Quelimane (Txopela) – O Presidente da Assembleia Provincial da Zambézia, Betinho Jaime, diz que o nosso país está a passar por uma situação muito delicada a olhar pelo acentuado nível de luta pelas posses económicas entre outros elementos, uma situação que se não for controlada, poderá fazer com que as próximas gerações passem por um pior cenário que consistirá em guerras mais mortíferas do que já mais vistas no planeta desde o começo dos tempos.Edificio AP

Betinho Jaime fez este pronunciamento recentemente em entrevista, reagindo a uma questão a si colocada, na senda da actual conjuntura político-económica que se vive no país.

A fonte procurou fazer uma abordagem mais futurista ao apontar que a idade dos que hoje estão no poder não os permite viver décadas consideráveis nos próximos tempos, pelo que as próximas gerações não podem encontrar as diferenças plantadas nesta nossa época e por conta disso comecem a guerrear-se uns aos outros.

Moçambique tem estado a passar nos últimos tempos por momentos não muito confortáveis do ponto de vista de tranquilidade social, mas isso deve-se a sistemática exclusão, considera o presidente da Assembleia Provincial da Zambézia.

Para aquele dirigente, há necessidade e sobretudo urgência de o País adoptar políticas de inclusão isto para permitir que saia dos problemas que tem estado a acontecer quase de maneira recorrente. No seu entender, Moçambique só sabe pronunciar a Paz quando se dispara, enquanto não se disparar não há paz. Este diz que se deve encontrar meio-termo, que mesmo sem o soar das armas, lute-se para que exista a paz.

Mas como é que isso se efectiva?

O presidente da Assembleia Provincial da Zambézia, diz que isso só pode se efectivar mediante o entendimento na mesa do diálogo. Um indivíduo doutra ala política, doutro partido político deve ser visto como um ser humano semelhante aos outros que pertencem a outras alas, e que merecem os mesmos direitos que os integrantes de outros partidos, disse.

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Este facto está associado ao fenómeno da descriminação existente no país, realçou. Para o nosso interlocutor, há necessidade de atribuição de oportunidades de igual para igual. “Se formos a ver, só para citar um exemplo, se alguém concorre a uma determinada vaga, há alguém que procura saber de uma maneira clandestina, de quem realmente se trata o candidato, de que partido é, mas se é do partido Y mesmo sem requisitos necessários existem arranjos” e continua “mas se é do partido K, com os mesmos problemas que o candidato de partido Y tem, automaticamente é excluso ou se este mesmo do partido K tem melhores requisitos fica pendente, alegadamente por que este não é nosso, estes termos de descriminação devem ser banidos”, – disse Betinho Jaime numa alusão hipotética em acusação ao governo do dia.

Um outro aspecto levantado por aquele dirigente, é o facto de os escritos não reflectirem a realidade. O presidente disse repetidamente que gosta das leis moçambicanas e sublinhou que no seu ponto de vista, todos os países da lusofonia, ou seja, falantes de língua portuguesa Moçambique é o que melhor escreve as leis mas considera que é inversamente o pior no cumprimento.

Betinho citou como exemplo o art. 53 da Constituição da República, onde o cidadão é liberado de pertencer ao partido político que bem quiser, mas se um cidadão que era de um partido O, passar para o partido T, é confusão e a partir daí as oportunidades reduzem, então temos que encontrar formas para ultrapassar estes diferendos, apontou a fonte.

Na mesma ocasião, a fonte invocou a questão de assimetrias como sendo outros elementos de turbulência social no país, onde algumas regiões do país são mais desenvolvida em detrimento das outras e sugere o desmantelamento do regionalismo assimétrico.

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” Se temos um aeródromo internacional na Matola, por exemplo, porque não vamos ter um outro em Mocuba”, – questionou o nosso interlocutor para quem há necessidade de uma orientação clara dos aspectos por si mencionados, se realmente pretende-se um país socialmente equilibrado. (Redacção)