Clima de guerra ameaça futuro de Moçambique

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2a-edicao-jornal-Txopela-em-PNG-212x300 Clima de guerra ameaça futuro de MoçambiqueO clima de guerra instalado no troço Caia-Nhamapandza na região centro de Moçambique esta criar elevados prejuízos humanos, económicos, sociais e políticos para a população daquela região e para os utentes da via.

A presença de homens armados da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança no terreno está mutilar o modo de vida da população e a retroceder os passos que o País deu para o crescimento.

O Jornal Txopela esteve a trabalhar durante quatro dias no terreno e assistiu cenas de terror, arrepio e medo a que a população está sujeita. Exibição de armamento pesado e escolta militar para alegadamente garantir ordem e segurança aos utentes da via. Por outro lado, homens armados da Renamo camuflados na população e nas matas a comandarem o destino dos passageiros, ou seja, decidem quem deve passar e quem deve ser atacado.

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Nunca se sabe o momento certo nem o alvo dos ataques armados, a verdade é que o clima de guerra voltou ao Pais seja em zonas localizadas de forma tímida ou não. Há compatriotas moçambicanos a morrerem, pessoas gravemente feridas e futuro de muitas gerações ameaçado pelos horrores desta tensão política militar.

Quelimane à Caia um troço relegado ao esquecimento, quilómetros de estrada maioritariamente esburacados, a fraca circulação de viaturas para a zona do mítico rio Zambeze, denuncia o que os telejornais e alguns negam fervorosamente aceitar. “A Guerra voltou!”.

Ninguém ultrapassa a linha imposta pelas forças militares governamentais, de Caia à Nhamapandza “só com escolta e a essas horas (14 horas) não é possível passar vão ter que dormir e aguardar amanha as 13 horas para seguir viagem”.- Explica serenamente jovem de aparentemente vinte e poucos anos de idade, é gerente do Bhissimilai (um pequeno restaurante de comida barata) onde os passageiros das frotas inter-provinciais preferem acomodar-se para passar refeição.

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O Distrito de Caia dista a cerca de duzentos e dez quilómetros de Quelimane, zona lodosa, física e politicamente, a sua capacidade de produção agrícola é notória, as culturas de milho e mapira tem maior expressão, no entanto é a prostituição infanto-juvenil que tira sono as autoridades locais e as taxas de seroprevalência do HIV-SIDA não deixam nenhum equívoco.

Apesar de tudo isto o confronto militar que é travado entre as forças de segurança e a RENAMO a poucos quilómetros dali é que domina as conversas da população e passageiros dos autocarros inter-provinciais que seguem rota Quelimane – Beira ou Quelimane – Maputo que começam a perder esperanças de um futuro promissor para um Moçambique que não consegue desarmar-se.

“A Frelimo e a Renamo estão a usar o povo, os passageiros estão a morrer, os militares estão a morrer e todo o mundo aqui não esta feliz com esta situação, ninguém percebe o porque disto tudo, se, não há razão suficiente para justificar mortes desta dimensão ”.- Declarou Simões Alexandre de 41 anos de idade, um dos muitos passageiros que não tem condições financeiras suficientes para viajar com os seus três filhos num voo da LAM para fugir desta triste e perigosa situação.

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A outra verdade é que ninguém sabe ao certo se chegará ao destino, em aproximadamente cento e dez quilómetros de estrada que se tem de percorrer de Caia à Nhamapandza tudo pode acontecer, inclusive perder a vida, sem no entanto ter culpa “A luta é deles, se querem tanto matar-se podem faze-lo não precisa usarem-nos como escudos, nos não somos moedas de troca, a verdade é que nenhum destes (Frelimo e Renamo) presta, são todos assassinos sem escrúpulos, gente sem fé e muito maldosa.” Disse Fernanda Raul de 27 anos de idade, com um timbre de voz agudo, narra os depoimentos de situações macabras que os seus vivenciaram e do luto nas famílias que o governo e a Renamo plantaram.

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